Gastronomia por Roberta Sudbrack
15/09/2006 ..
Fabio Fabuloso e Luciano Formidável!
O surf tem o fantástico Fábio Fabuloso, o mago das ondas, e nós aqui no restaurante temos Luciano Formidável, o mago dos bolos. Quem diria? Quem já esteve por aqui conhece o “carcamano”. Não tem como esquecer: ele é simpático, carismático e único. Mas nunca me passou pela cabeça que levasse jeito na cozinha!
Ele trabalha no escritório e, como todos sabem - principalmente a Mayana - nunca dá recados! De vez em quando, ataca de garçom, quando a casa bomba e fica um sufoco. Até que se sai bem e nesses momentos ganha o apelido de Pierre! É um tal de: vem Pierre, vai Pierre! Isso Pierre, levante o ombro e ande como um garçom francês! E ele tira onda...
Mas na cozinha? Eu confesso que não acreditava. Outro dia ele foi me contar as peripécias de final de semana no fogão. Ouvi atentamente porque qualquer manifestação de amor pela cozinha me interessa e me alegra.
Mas o primeiro causo foi um desastre! Ele me disse: “Chef esse final de semana fiz aquelas batatinhas no sal grosso lá em casa. Minha mãe não acreditava quando eu dizia que as batatinhas assavam só no sal grosso!”
A princípio não entendi bem, mas resolvi perguntar se tinha ficado bom e se a mãe dele tinha acreditado afinal. Ele me disse: “É, ficou mais ou menos. Acho que deveria ter deixado no sal grosso mais alguns dias!” Moral da história: ele achou que as batatinhas cozinhavam apenas por estarem em contato com o sal, que os 40 minutos de forno eram um mero capricho meu, que ele não deveria levar em consideração!
Bem, apesar desse inicio trágico, depois de ouvir a descrição do bolo formigueiro que ele também faz nos finais de semana, fiquei um pouco mais empolgada e lancei o desafio: “Então amanhã você vai para a cozinha e vai fazer esse tal bolo para o nosso café da tarde, topa?” Não é que o cara arrasou? O bolo não é formigueiro, é formidável!
E tem mais: nada de batedeira, nada de claras batidas, nada de confusões! Bateu o bolo com colher de pau como manda o figurino, deixou a área de trabalho limpa, como manda a chef, e fez um bolo simples e descomplicado, como devem ser os bolos! Ah! A receita é toda de responsabilidade dele, mas eu garanto: o bolo é bom e os 26 minutos, por mais estranhos que pareçam, fazem todo o sentido.
Então aí vai a receita do bolo formidável para alegrar o fim de tarde, o fim de semana e a vida! Viva!
Bolo Formidável
Por Luciano Formidável
Ingredientes
Massa
4 colheres de sopa de manteiga sem sal amolecida
2 copos de açúcar
3 ovos
3 copos de farinha de trigo
2 copos de leite integral
2 colheres de chá de fermento em pó
Cobertura
2 latas de leite condensado
1 colher e meia de sopa de manteiga sem sal
8 colheres de sopa de chocolate em pó
2 colheres de sopa de leite integral
10 colheres de sopa de chocolate granulado
Preparo Massa
Com uma colher de pau, misture a manteiga e o açúcar até dissolver bem o açúcar. Acrescente os ovos até formar uma massa cremosa. Coloque a farinha de trigo e mexa vigorosamente. Junte o leite e mexa devagar até ficar cremoso e dissolver todo o leite. Por último, junte o fermento e mexa devagar. Coloque a massa em forma untada com manteiga e farinha de trigo. Asse o bolo em forno pré-aquecido a 180º por 26 minutos.
Preparo Cobertura
Em uma panela coloque a manteiga e deixe derreter. Acrescente o leite condensado, o leite e o chocolate e aqueça rapidamente, apenas até dissolver o chocolate. A mistura deve ficar bem líquida. Retire metade e regue o bolo ainda quente e todo furadinho. Volte com a outra metade da cobertura ao fogo e cozinhe até encorpar. Regue o bolo novamente e polvilhe com chocolate granulado.
13/09/2006 ..
Parabéns confraria! Viva! Viva! Viva!
Então o meu atraso surtiu o efeito desejado... 247 comentários!!! Iuuuupiiiiiii!!!! Agora posso dizer, já que a nossa ministra da informática sumiu: temos um recorde!!!!
Gostei. Chef manda, tem que cumprir! Afinal, chef não erra, se engana! Mas nunca me enganei com vocês... Nunca duvidei. E vocês?
Ministro Cláudio, me permita sugerir a trilha de hoje: “We are the champions” do Queen. Maravilhoso!
E para comemorar e agregar mais um prato ao nosso banquete, aí vai a receita da nossa adorada brusquetinha, servida no Roberta Sudbrack para abrir os serviços!
Até! Valeu! Adoooooorei!!!!
Pequena bruschetta de tomate e manjericão
Por Roberta Sudbrack
Para 8 pessoas
Ingredientes
3 tomates sem pele e sem sementes
6 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
1 dente de alho sem casca
1 colher de sopa de folhinhas de manjericão fresco
8 fatias de pão de fôrma
50g de parmigiano reggiano em lascas
sal
pimenta-do-reino moída na hora
Modo de preparo
Corte os tomates em cubos bem pequenos.
Coloque em um recipiente, acrescente 4 colheres de sopa de azeite de oliva, o alho inteiro, as folhinhas de manjericão e tempere com sal e pimenta do reino moída na hora.
Tampe e deixe repousar para tomar gosto. Quanto mais tempo melhor.
Corte o pão em pequenos círculos com ajuda de um molde.
Coloque em um tabuleiro e regue com um fio de azeite de oliva.
Leve ao forno pré-aquecido a 180º até dourar e ficar crocante.
Disponha as torradinhas nos pratos e cubra cada uma com um pouco do tomate. Acrescente as lascas de parmigiano reggiano, regue com o azeite restante e sirva.
12/09/2006 ..
Cachorro é tudo de bom!
Ontem foi aniversário do Frederico. Passamos o dia juntos, porque, para sorte dele, era o meu dia de folga também!
Andamos no calçadão, compramos brinquedos nas pet shops, tomamos água de coco e à noite fui para a cozinha, como de costume.
Mas dessa vez para cozinhar só para ele. Os clientes que me perdoem, mas ontem foi o dia dele!
O prato principal foi um salteado de cordeiro com abobrinha – que ele adora! - e a sobremesa timbales de papaia do nosso livro “Bom pra cachorro – Gastronomia canina”, Editora Senac Rio.
Ele se lambuzou todo de alegria e prazer! E nós comemos pizza. Pronta, é claro. Ontem eu não cozinhei para ninguém além dele!
Foi ótimo e mais uma vez chego a essa conclusão: cachorro é mesmo tudo de bom! Não vou me alongar nessa história, porque já me dei até ao luxo de escrever um livro sobre isso! Mas acho que nunca é demais dizer o quanto esses seres são maravilhosos. O quanto eles enchem a casa de coisas boas, verdadeiras e puras.
A vida não é fácil. Digo isso porque me considero umas das pessoas mais felizes do mundo, de verdade. Mas quem me conhece sabe que nada é lá muito fácil para mim. Tudo é sempre repleto de sacrifícios, muito suor, trabalho e sonhos. Sonhos eternos graças a Deus!
Foi assim com a comida, foi assim com o restaurante. Sonhos, sacrifícios, trabalho e muito suor. Antes também tinha sido assim, quando vendi “cachorro-quente” nas ruas de Brasília. Chefiar o Palácio da Alvorada também não foi fácil. Primeira vez na história, civil, mulher...
É sempre uma escalada longa, muitas vezes tortuosa e por onde nunca passa um atalho. Não gosto de atalhos mesmo. Ando sempre pelas vicinais. São mais demoradas, mas muito mais interessantes.
Interessante também é sempre ter do meu lado, para me apoiar em todos esses momentos, um cachorro. Não vivo sem eles. Preciso do olhar, do abanar de rabo, das lambidas, da sinceridade.
Cachorro já seria tudo de bom só por essa última qualidade: a sinceridade. Está em falta no mundo, cada vez mais rara de se encontrar.
A “Viva!” é como cachorro: tudo de bom!
Sincera, intensa, alegre, verdadeira e incansável! Exatamente por isso dividimos cada vez mais as nossas alegrias, as nossas lembranças, a nossa sinceridade. E dividir sinceridade é coisa muito séria.
É como se todos nós tivéssemos o mesmo cachorro! Um porto seguro, onde podemos entrar, falar, desabafar, sofrer, aliviar, confiar e sonhar.
Enfim, viver sem medo de ser feliz.
Tem coisa mais valiosa do que isso?
Só cachorro e comida! Mas isso a gente também tem por aqui!
Até!
11/09/2006 ..
As mais simples – e melhores – batatas do mundo!
O pessoal da equipe contra o misto quente que me perdoe, mas definitivamente acredito que a vida é simples.
É, e precisa ser, pois só dessa maneira descobrimos as grandes e valiosas coisas da vida.
Domingo é dia de almoço em família. É o dia em que, apesar do cansaço acumulado da semana, aproveito para cozinhar, tomar um bom vinho, relaxar.
Vou sempre para a cozinha junto com o Frederico, aliás, como costuma dizer a minha avó: eu tiro o meu pé de algum lugar e ele coloca o dele. A pata, é claro! É uma maneira educada de dizer que ele não me larga quando estou em casa. Não tem para ninguém!
Enfim, ele adora isso, a minha movimentação na cozinha, os cheiros, as sobrinhas... Roubar os panos de prato e sair correndo, coisas desse tipo. A gente coloca uma música e vai em frente. Ele adora música, ministro Cláudio!
Ontem o nosso menu começou com deliciosos gougères assados desde o café da manhã, que também teve ovos caipiras, pão na chapa – que eu adoro! – e geléia nova de morangos da safra 2006 do Roberta Sudbrack.
Depois de um bom descanso e de uma bela caminhada no calçadão, voltamos famintos para a cozinha. Os dois, é claro. Fomos então preparar o nosso almoço de domingo. Mais gougères no forno e um delicioso Gewurztraminer Doff&Fils, 2003, Alsacia, França, para abrir os serviços.
Tínhamos à nossa disposição a soberba mussarela de búfala pultinella, do meu amigo - e mago das mussarelas – Federico, da Valle D´oro. Que produz com as próprias mãos – literalmente - e com muito amor e dedicação, uma das melhores mussarelas que conheço no Brasil e no mundo. Sério mesmo. Vivo a procura da mussarela perfeita e até agora o Federico está na frente!
É um produto tão espetacular que merece reverência e respeito acima de tudo. Cortar? Acho uma heresia. Melhor rasgar com as mãos, deixar escorrer por alguns minutos em uma peneira, acrescentar o melhor azeite de oliva que você tiver, flor de sal e pimenta do reino moída na hora. E foi isso mesmo que fizemos.
De prato principal tínhamos confit de pato, feito da maneira clássica, com a banha do próprio pato e no forno em baixíssima temperatura, por 8, 9, 10, 11 horas seguidas! Estava pronto e só faltava esquentar no forno bem quente com o top grill ligado para deixar a pele extremamente dourada e crocante.
Enquanto isso lavamos e secamos algumas batatas. Cortamos em fatias não muito grossas com a casca e tudo e colocamos em uma assadeira com bastante manteiga, azeite e alecrim no fundo, como se elas estivessem nadando! Temperamos com sal e pimenta do reino moída na hora e colocamos no forno bem quente, a 200º. Largamos lá sem preocupação de estar olhando ou virando. Elas foram se ajeitando sozinhas e de repente estavam lindas, crocantes e douradas! Finalizamos o pato, abrimos uma meia garrafa de Chianti clássico, Fontodi, 1999, Itália, e nos deliciamos.
Quando estávamos nos preparando para a sobremesa, um susto! Minha avó foi se sentar na cadeira, a danada escorregou e ela levou um tombo. Foram apenas alguns instantes até sabermos que ela estava bem, mas infinitos na angústia. Ela está ótima, com um baita galo na cabeça, mas feliz, ativa e danada.
Mas diante de um susto como esse, o mundo para de girar por alguns instantes, a gente repensa tanta coisa, se dá conta de tantas outras...
Umas tão simples. Por exemplo: pela primeira vez depois de anos, descobri que temos duas pias na cozinha, uma do lado da outra. Uma que nunca usamos.
Descobri isso, porque apesar de muito tentar, não consegui convencê-la a não lavar a louça. Ela é danada! Resolvi então lavar junto com ela. Foi ótimo, por todos os motivos do mundo.
As batatas estavam incríveis, talvez as melhores que já comi na vida, o vinho intenso, o pato um absurdo de bom e a mussarela divina.
Mas a simples alegria de poder contar essa história com final feliz, essa não tem preço, para outras coisas existem “Mastercard”!
Até!
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